O que é princípio da autoridade da Bíblia?
Significa que apenas as Escrituras, que são os registros escritos da auto-revelação de Deus aos homens, possuem autoridade suficiente para guiar o indivíduo na sua crença e no seu comportamento.

Justo Anderson, afirma que:

‘As igrejas batistas consideram a Bíblia como a fonte de autoridade, especialmente o Novo Testamento, como o registro da vida, o exemplo e os mandamentos de Jesus Cristo’.

Anderson ainda argumenta que a autoridade da Bíblia, principalmente a do Novo Testamento, se relaciona com o princípio do senhorio de Jesus Cristo, porque ‘a autoridade do Novo Testamento se deriva do Senhor do Novo Testamento. Em outras palavras, a palavra escrita deriva sua vitalidade da Palavra vivente’.

Por esse motivo nós, Batistas, entendemos que nossas doutrinas e práticas devem estar subordinadas ao Novo Testamento.

Com isto em mente, James Giles escreveu:

‘O que alguém considera como autoritativo em religião e prática determinará seu comportamento’.

Por isso, quando o muçulmano, no mês sagrado de Ramadã, jejua desde o nascer ao pôr-do-sol, inclusive sem fumar e abstendo-se de relação sexual, faz guiado pelo alcorão, que para ele é a autoridade máxima.

Neste uso, justificam-se plenamente as diferenças acentuadas entre o islamismo e o cristianismo. Para o islamita, o alcorão é autoritativo; para o Cristão, a Bíblia é sua regra de fé e prática. Agora, como entender as várias igrejas com o nome de cristãs mas com doutrinas e práticas tão diferentes, senão até contrárias?

Vejamos três exemplos de igrejas que divergem de doutrinas e práticas Batistas.

O primeiro exemplo é o da igreja católica romana com o seu papa “infalível”, veneração (na realidade culto) a Maria e aos santos, a oração pelos mortos em um suposto purgatório; a salvação pelas obras etc. Quanta distância das doutrinas e práticas bíblicas!

Mesmo assim o catecismo da igreja católica romana diz: ‘Na Sagrada Escritura, a igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que é realmente: a Palavra de Deus’. Estas afirmações do catecismo estão corretas, merecendo o nosso amém. Agora, como conciliar os desvios de crenças e práticas católicas com os ensinos das Escrituras? A resposta é uma só: o catolicismo não tem apenas a Bíblia, mas também crê que ‘A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só sagrado depósito da Palavra de Deus confiado à igreja’. Logo, o que não tem base bíblica é justificado pela tradição, que é o conjunto de ensinamentos e práticas sem o apoio das Escrituras, que foram acrescentados com o passar do tempo.

O segundo exemplo são as igrejas protestantes pedobatistas, isto é, as que batizam crianças recém-nascidas, e efetivam o batismo na forma de aspersão. É o caso das igrejas luterana, anglicana ou episcopal, presbiteriana e metodista. Embora sejam igrejas derivadas direta ou indiretamente da Reforma do século XVI que proclamou a Bíblia como única regra de fé e prática, não questionaram alguns conceitos e práticas à luz do Novo Testamento.

Por isso, José dos Reis Pereira, escreveu:

‘Porque manteve o batismo infantil além de outras doutrinas e práticas oriundas do romanismo ou nele inspiradas é que dizemos que a Reforma do século XVI não foi completa. Lutero e Zwuínglio, bem como Calvino e os anglicanos mais tarde, não tiveram fôlego moral e espiritual para percorrer todo o caminho de volta ao cristianismo do 1° século. Detiveram-se antes de terminar a jornada’.

O terceiro exemplo são as igrejas neopentecostais que têm difundido ensinos bastante estranhos à Bíblia e ao protestantismo histórico. Basta mencionar apenas alguns:
1) Estar bem com Deus significa ter saúde física e prosperidade financeira;
2) O crente deve determinar a bênção e não orar de acordo com a vontade de Deus;
3) Cura interior mediante o uso de hipnose e regressão que pode chegar à fase embrionária e “liberar perdão às pessoas envolvidas (aquelas dos momentos difíceis, amargos e traumatizantes) em cada fase e até mesmo a Deus”;
4) Quebra de maldição hereditária vinda de antepassados.

O mais curioso é que todos os envolvidos nos tais “encontros” propagam-nos dizendo: “Tudo que foi ensinado e pregado lá está dentro da Palavra”, querendo dizer que tem base bíblica. Entretanto a autoridade da Bíblia fica anulada pela aceitação de outras “autoridades normativas” como pretensas visões e revelações de líderes. Infelizmente, se esquecem das palavras de Paulo orientando a Timóteo para que admoestasse ‘a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que antes promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé’ (1Tm 1.3).

Não adianta dizer que a Bíblia é autoridade se ela não norteia nossa fé e nosso agir.

É preciso entender que ‘as Escrituras revelam a mente de Cristo e ensinam o significado do seu domínio. Na sua singular e una revelação da vontade divina para a humanidade, a Bíblia é a autoridade final que atrai as pessoas a Cristo e as guia em todas as questões de fé cristã e dever moral. O indivíduo tem que aceitar a responsabilidade de estudar a Bíblia com a mente aberta e com atitude reverente, procurando o significado de sua mensagem através de pesquisa e oração, orientando a vida debaixo de sua disciplina e instrução’.

Conheça: O Princípio da Igreja composta de Membros Regenerados e biblicamente batizados.